segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Bola Presa: quem saiu ganhando na troca de KG?

Na coluna Bola Presa, cada um puxa prum lado!

Garnett mostra o real vencedor da troca: ele próprio


Por que o Celtics ganhou na troca de Kevin Garnett?
por Denis Botana

Simples. Porque com ele, o Celtics depois de tantos e tantos anos vai voltar a disputar títulos. Após tantos e tantos anos todos vão esperar pra ver o Celtics jogar. Depois de tanto tempo o torcedor do Celtics não vai dizer que seu time é o melhor baseado em coisas de 20 anos atrás. Os torcedores do São Paulo sabem do que eu estou falando. Quanto tempo eles não passaram só se vangloriando das glórias de Telê Santana até finalmente voltar a vencer? Chega uma hora que cansa só lembrar das coisas antigas e o torcedor quer coisa nova. Valeu Auerbach, valeu Telê, obrigado Raí, abençoado seja Larry Bird, mas queremos conquistas novas!

O segredo dessa reviravolta foi a troca por Ray Allen. Na entrevista coletiva da apresentação de Garnett, ele mesmo disse que não via com bons olhos a saída de Minnesota para ir para Boston, mas depois que viu que eles também iam ter Ray Allen, a coisa mudou. Todos imaginavam que o Boston usariam a sua escolha no draft, Al Jefferson e Gerald Green para conseguir uma estrela, mas no fim das contas bastou Delonte West e a escolha para conseguir Ray Allen e com isso se mantiveram todas as
estrelas jovens do time para servir de troca para KG. Jogada genial do duvidoso Danny Ainge.

Muitos podem falar que eles jogaram fora o futuro deles por um jogador já velho. Pô! Que mania é essa de juventude? Jogadores jovens dão show, pulam, ganham fãs, mas não ganham títulos. O Spurs já provou que os veteranos fazem a diferença nos playoffs. Al Jefferson é muito bom, Gerald Green pode ter um futuro fantástico, Telfair pode ser bom no fim das contas e Ryan Gomes é o jogador que todo time precisa. Mas de verdade, eles iam levar o Boston ao título? Durante muito tempo não. E quando Al Jefferson se tornar o all-star que todos pensam que ele vai ser, quantos anos terá Paul Pierce? E se Gerald Green não for tudo isso mesmo? E se o Al Jefferson cansar de perder e decidir sair da equipe quando for free agent? Já vimos muito disso por aí, o time drafta, cuida até o cara crescer e quando ele vai entrar no primor da carreira, dá o fora. Shaq mesmo dando alegrias a Orlando foi embora cedo, Jermaine saiu de Portland antes de mostrar quem era, Curry saiu de Chicago assim que começou a jogar bem e por aí vai. No fim das contas, o Celtics trocou as incertezas do futuro por um dos melhores jogadores do mundo que vai dar a chance deles disputarem um título pelos proximos 3 anos pelo menos.

Um time que serve de exemplo pro Celtics é o Miami Heat. O Miami também ficou com o elenco vazio quando mandou 3 titulares por Shaq. A solução foi atrair veteranos com sede de título para realizar o sonho de jogar com o pivô dominante. Então perderam Caron, Odom e Brian Grant mas em troca não ganharam só Shaq. Ganharam Shaq, Alonzo, Walker e Payton. E com isso ganharam o título. Pierce, KG e Ray Allen têm fama de bons moços que treinam bastante e de serem bons companheiros de time. Além disso eles tem a fama de serem espetaculares. Junte a isso a fama que o time de Boston tem e não deve faltar veterano pra encher essas vagas que a troca deixou em aberto. Reggie Miller já está sendo sondado, Allan Houston já apareceu nos rumores, mas nem precisamos ir tão longe com os já aposentados, o que não falta na NBA é jogador bom ou mediano atrás de um bom time para se consagrar.

Em resumo, o Wolves pode ficar sonhando com seus pivetes, achar que um dia algum deles possa dar alegria para sua torcida mas quem entra na briga de verdade agora é o Boston. Para todo mundo, principalmente o Dallas, o que interessa é playoff, é título, e não promessa para um futuro distante.

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Por que o Wolves ganhou na troca de Kevin Garnett?
por Danilo Silvestre

Trocas de grandes estrelas costumam, por regra, ser complicadas. É muito difícil conseguir uma troca justa que traga valores no mesmo nível da estrela sendo trocada. Num passado próximo, podemos lembrar de duas grandes estrelas que trocaram de time: Shaquille O'Neal e Allen Iverson. Shaq foi trocado por Lamar Odom, Caron Butler, Brian Grant e uma escolha de draft. Iverson foi trocado por Andre Miller, Joe Smith e duas escolhas de draft.

É sempre difícil ver o jogador principal de seu time partir por alguns jogadores de segundo escalão e um punhado de escolhas no draft. Ainda mais no caso de Kevin Garnett, um dos melhores jogadores dos últimos anos, cuja eficiência é inquestionável. Como fã de Garnett, fiquei feliz de vê-lo ser trocado porque ele merecia essa chance de competir pelo título antes que ele usasse bengala e tomasse purê de maçã na veia. Achei muito nobre que o Wolves permitisse a Garnett, que nunca pediu para ser trocado, a oportunidade de não ter que carregar de novo um time medíocre nas costas e ficar fadado à fama de amarelar nos playoffs.

Mas a nobreza que eu via no Wolves desapareceu assim que vi o outro lado da troca: o Celtics mandou Al Jefferson, Gerald Green, Sebastian Telfair, Ryan Gomes, o contrato-monstro prestes a expirar de Theo Ratliff e duas escolhas de draft.

É, sem sombra de dúvidas, a melhor troca por uma estrela de que eu consigo me recordar. Nada de Joe Smith aqui, garotada: estamos falando de jogadores realmente talentosos, competentes e jovens, muito jovens. O Celtics segurou suas jovens estrelas por um punhado de anos e, quando elas finalmente desabrocharam, foram trocadas. Isso quer dizer que o Celtics não mandou apenas jovens potenciais questionáveis: mandou também certezas.

Al Jefferson provou seu lugar na liga como um dos mais capazes jogadores de costas para a cesta. Ryan Gomes firmou-se como um pau-pra-toda-obra capaz de jogar em 3 posições com uma consistência invejável. Os outros são mais questionáveis, mas não verdadeiramente apuros: Gerald Green mostrou momentos de genialidade e deve evoluir muito com mais minutos, além de conseguir pular prédios de 10 andares e depois enterrar, o que sempre pode ser útil hoje em dia nesse mundo com tantos prédios. Sebastian Telfair, por sua vez, é absurdamente talentoso mesmo tendo o selo "Ron Artest de qualidade" em se meter em encrencas.

O Wolves com Garnett estaria eternamente fadado a ser como um dia no museu com Tim Duncan: monótono. O Minessota não brigaria nos playoffs e também não teria a primeira escolha do draft. Ficaria para sempre ali, no limbo da 8a ou 9a colocação no Oeste. E após a troca? O Wolves deve ter um ano difícil de adaptação e de amadurecimento de seus jovens jogadores, acabar lá no fundo da conferência Oeste, ter duas escolhas no primeiro round do draft, e então virá com tudo na temporada seguinte. Será o processo mais rápido de reconstrução de um time já visto. Isso porque o Celtics acabou de mandar seu próprio projeto de reconstrução para Minessota. Com o trabalho poupado, o Wolves só precisa contar com as peças jovens que já possuia (Randy Foye e Craig Smith), manter o Ricky Davis tomando seus calmantes e se preparar para tomar a Liga de assalto em poucos anos.

Boa sorte para os Celtics nos 3 anos que lhes restam de vida. Lá em Minessota é o começo de um império que se forma, e muito mais adiantado do que se imagina.
Al Jefferson, olha a pressão que estou colocando em você... seja um bom menino e eu prometo comprar sua camisa como All-Star lá em 2009, ok?

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