domingo, 18 de novembro de 2007

Como se divertir vendo um jogo da NBA - Parte 2

Até o fim do texto eu vou falar mal do Eddy Curry de novo, aguardem...



Estou carente de NBA. Nesses últimos dois dias, por causa de uns problemas aqui, não consegui assistir aos jogos e fiquei tendo que saber de tudo o que aconteceu nas gordas rodadas de sexta e sábado em melhores momentos e boxscores. Isso acaba comigo. Estou mal acostumado, é como tirar a bebida de um bêbado por um fim de semana.

Sem confiança para falar dos jogos que aconteceram e eu não vi e pensando no que eu poderia ter visto, vou continuar meu texto sobre como se divertir vendo um jogo da NBA.


Lição 2: Acompanhe apenas um jogador ou tipo de jogador.

No último texto falamos sobre acompanhar um duelo. Como muita gente até concordou, é divertido demais, mas o ruim é que não dura o jogo inteiro. Já vi por exemplo tanto Kobe como T-Mac não marcarem um ao outro em duelos Lakers x Rockets para não se desgastarem fisicamente na defesa e nem correrem risco de entrar em problemas de falta. Eu não gosto muito dessa tática, principalmente quando o Lakers pegava o Heat e o Phil Jackson mandava o Smush Parker marcar o Wade. Não dava nadinha certo...

Mesmo no duelo Kaman-Ilgauskas que eu citei no texto anterior. Durante um grande período do jogo um dos dois estava no banco e eu fiquei sem duelo pra ver. Para resolver isso, você escolhe apenas um jogador pra ver, ou melhor ainda, um tipo de jogador. Vamos aos exemplos:


A. Escolha seu jogador favorito e olhe só para ele

Ninguém vai achar que você é viado só porque você não tira o olho daquele negão sarado com os músculos marcados. Pode olhar à vontade. Se você gosta do Dwight Howard, não tire o olho dele. Veja se é ele que cobra o lateral quando o time toma a cesta, veja em que velocidade ele parte para o ataque, veja se ele se preocupa primeiro em se postar no garrafão para receber a bola ou se ele se preocupa em usar seu corpo para fazer um corta-luz para outro arremessador. Veja se ele faz as duas coisas de maneira alternada. Garanto, se você é fã do Dwight, você vai se divertir.

Se você gosta de um scorer como Kobe, Arenas, Melo ou Kevin Martin (ele é um dos cestinhas da NBA, não posso fazer nada) veja como eles se comportam para conseguir todos esses pontos. Eles se movimentam só para buscar arremessos (Melo), pegam a bola e fazem tudo sozinhos (Kobe, Arenas) ou simplesmente têm jogadas desenhadas das quais eles participam e acabam em arremessos seus (Kevin Martin)?

Uma observação que eu recomendo é o Shawn Marion. Afinal, como um cara que não tem jogadas desenhadas para ele consegue 20 pontos por jogo? Vendo de perto você vai ver como em alguns contra-ataques, alguns rebotes ofensivos, alguns arremessos que acabam em sua mão, ele consegue, discretamente, ter médias altíssimas de pontos.


B. Escolha um jogador em uma situação diferente

Essa é a opção em que você escolhe um "tipo" de jogador. Com "tipo" quero dizer um jogador que tem uma situação que não é comum aos demais na quadra. Pode ser um estrangeiro acostumado a jogar na Europa, um novato ou até um jogador voltando de longa contusão.

Assistir novatos é uma diversão enorme pra mim. É interessante ver a adaptação, o nervosismo e o talento bruto brotando desses jogadores. Outro dia assisti Lakers x Wolves e acompanhei o drama de Corey Brewer. Na universidade da Florida deu pra ver que o cara é talentoso e um ótimo defensor, mas em LA ele foi incumbido de marcar ora Kobe Bryant, ora Lamar Odom. Pobre novato. Kobe abusou de dribles, depois jumpers, depois inflitrações. Depois de algumas posses de bola Brewer não sabia mais o que marcar em Kobe e acabou substituído. Voltou depois pra marcar Odom, que com caracteristicas bem diferentes de Kobe, deixou o Brewer mais perdido ainda tentando marcar seu jogo de garrafão. Deu dó em algumas horas mas fiquei feliz, obviamente foi um dia marcante pra Brewer e já no segundo tempo, quando ele tinha como adversários jogadores como Maurice Evans, ele já parecia bem mais confiante.

Estrangeiros são interessantes de assistir mesmo, acho muito parecido com acompanhar jogadores que passam anos em um time e depois mudam. Dá pra ver que eles sabem jogar mas simplesmente se sentem fora de casa. O desconforto é tanto que algumas vezes eles erram coisas simples, vejam só quantos jogos o Juan Carlos Navarro e o Luis Scola demoraram pra desencantar nessa temporada. Foram ter grandes jogos só nessa última sexta-feira. É, o dia que eu não vi os jogos... merda.


C. Escolha alguém que jogue na sua posição de jogo

Essa é para os jogadores frustrados como eu. Se você não joga uma peladinha, essa dica não tem tanto valor assim. Eu com meus enormes 1,78 de altura só pude jogar como armador principal ou segundo armador, o SG. Me sentia mais à vontade como SG porque simplesmente não sabia o que fazer quando era armador. Pra resolver isso pensei em assistir só os armadores em vários jogos da NBA, desde Jason Kidd até Earl Watson, não ia tirar o olho deles.

Isso não me fez virar um grande armador, óbvio, já disse que sou um jogador ruim e frustrado. Mas me fez ver a posição de armador com outros olhos, comecei a entender mais os pré-requisitos, o que eles fazem a cada jogo e como a função do armador varia de esquema pra esquema. Em times como o Suns, por exemplo, o armador é essencial. Botar o Marcus Banks pra correr lá põe tudo a perder. Já o Lakers, cujos triângulos se baseiam no posicionamento e no toque de bola de toda a equipe, pede um tipo de armador muito diferente, com mais arremesso de fora e sem a necessidade de velocidade.

Se você é pivô ou ala de força você TEM QUE assistir outros de sua posição. O garrafão não é um lugar fácil de se jogar e só com tamanho você não vai se garantir. É só ver como o Yao se saia em sua primeira temporada e hoje em dia; o tamanho é o mesmo mas os recursos dele é que mudaram. Hoje ele tem jumper, gancho, velocidade nas pernas, sabe se posicionar mais perto da cesta. Observe tudo isso em um jogo e garanto que você vai aprender alguma coisa e se divertir, quanto mais você entende de basquete mais você gosta. Garanto.


Notas
Mesmo sem ter assistido aos jogos, não resisto e tenho alguns comentários a fazer:

- Com medo de Yi Jianlian roubar a vaga de LeBron, KG ou Paul Pierce no All-Star Game por causa da votação chinesa, a solução da NBA foi bem simples: ele não está na cédula de votação.

- Kidd está com médias de 11 pontos, 9,3 rebotes e 10 assistências. Com mais jogos como o de sexta-feira, pegando 19 rebotes, ele garante uma média de triple-double por pelo menos uns dias.

- Eu até falei de pivôs nesse texto e nem xinguei o Eddy Curry! O que está acontecendo comigo? Só pra não perder o hábito, vai: contra o Nuggets ontem, Curry pegou DOIS rebotes contra VINTE do Marcus Camby.

3 comentários:

Felipe disse...

É... Assistir jogadores específicos, independentemente da posição, estilo ou tamanho do pé, garantem bastante diversão em jogos chatos. E gosto de ver armadores, tanto porque passar a bola pra você finalizar sempre foi um prazer hahaha!

V. Giannini disse...

Po. O que você tem contra o Curry?

Hahahaha.

Falando sério... É muito engraçado ler alguns comentários de vocês sobre determinados jogadores.

Mas quanto ao Curry, principalmente por ser torcedor do Knicks, torço para que ele cale vocês a cada jogo, hehehe.

Danilo disse...

Não tem problema, a gente pode parar de fazer piada com o Curry, só precisamos achar outro gordo no lugar. Que tal aquele tal de Zach Randolph?
Hmm, pra que time você disse que torce mesmo?