domingo, 24 de fevereiro de 2008

Desconhecido do mês

Não tire os olhos da bola


Esse mês foi agitado. Primeiro com a maior sequência de trocas de all-stars que essa liga já viu, depois com o All-Star Weekend e, pra terminar, eu trabalhando mais do que nunca. Tudo isso somado resulta nisso aqui: o primeiro texto do desconhecido do mês saindo no fim do mês.

Mas tudo bem, ele é só um desconhecido mesmo. E vai dar pra fazer uns dois posts, o que não é ruim para um mês tão curto quanto este.

Mas então vamos parar de enrolar e ir direto ao assunto. O Desconhecido desse mês é o recém trocado Trenton Hassell, do New Jersey Nets. Eu sou fã desse cara e já queria falar sobre ele faz um tempo, a troca foi uma boa desculpa pra conseguir isso. Então nesse primeiro post falarei sobre a vida e carreira dele, para no segundo e último texto, falar desse mês que ele começou no Dallas e acabou em New Jersey.

Sua carreira na NBA começou no famoso draft de 2001. Famoso por ser cheio de caras grandes, de talento e que nunca renderam tudo o que podiam: Kwame Brown, Eddy Curry, Zach Randolph, Eddie Griffin, Brendan Haywood, Sam Dalembert.
Mas também tinham os jogadores de talento que, cedo ou tarde, mostraram que tinham lugar na NBA: Richard Jefferson, Pau Gasol, Tyson Chandler, Tony Parker. Teve também um que fica nos dois grupos, Troy Murphy. Ele já foi muito bom e hoje parece que não sabe usar esse talento, ou os Monstars passaram na casa dele.

E no meio desse emaranhado de jogadores conhecidos, lá, na primeira escolha do segundo round, a trigésima escolha, apareceu um discreto jogador de nome estranho. Era Trenton Hassell.
Escolhido pelo Bulls, ele estava em maus lençóis. O time estava em uma reconstrução (mal-sucedida). Tinham acabado de trocar Elton Brand pelo novato Tyson Chandler que, em toda sua carreira no Bulls, não jogou metade do que joga no Hornets hoje. Além disso tinham acabado de escolher Eddy Curry na primeira posição do draft e, acreditem, ele era pior antes do que é agora.

Nesse Bulls, que sofreu muito na temporada 2001-02, Hassell foi titular em 47 jogos, o que não é nada mal para um novato, mas que também não é grande coisa para um novato em um time em completa reconstrução, que aposta puramente em novatos para se reerguer. Nessa temporada ele teve média de 8,7 pontos, 3,3 rebotes e 2,2 assistências. O engraçado é que ele é uma espécie de Channing Frye, já que no primeiro ano teve seus melhores números em rebotes e assistências na carreira, além da segunda melhor média de pontos. Ele nunca foi tão bom quanto foi quando novato.

Mas na verdade, a não ser na parte dos números, o auge de sua carreira, quando até teve alguma atenção da mídia, foi nos seus anos de Timberwolves. Antes da temporada de 2003-04, o Bulls dispensou Hassell e ele foi para Minneapolis jogar com Kevin Garnett, Latrell Spreewell e Sam Cassell. Ou seja, foi para o lugar certo na hora certa. O Wolves, como o T-Mac, não passava nunca da primeira fase dos playoffs e para superar isso chamou Spree e Cassell pra dar uma força pra Garnett, o que foi uma bela de uma força. O time ficou em primeiro no Oeste e só foi eliminado pelo Lakers de Shaq, Kobe, Payton e Malone nas finais de conferência.

Como eu disse em um post na semana passada sobre Kyle Korver, os chamados "role players" só ganham devida atenção quando suas pequenas coisas, pequenos talentos, trabalham a favor de uma equipe vencedora. E o talento defensivo de Hassell, inútil no fraco Bulls, se tornava parte essencial no Wolves. Foram 74 partidas como titular e muitas vezes sobrava pra ele, como melhor defensor e também shooting guard, marcar caras como Kobe, T-Mac, Carter, Iverson e etc. Profissão ingrata mas que ele fez com talento.

Na temporada seguinte, por exemplo, a de 2004-05, ele até chegou a receber votos de primeiro lugar na votação de melhor jogador de defesa da temporada. Acabou mais para trás, com um voto para primeiro lugar, um para segundo e quatro para terceiro, mas estava lá, entre os melhores da liga. E talvez ele tenha aprendido a defender no colegial, afinal seu companheiro de escola era um cara chamado Shawn Marion.

Para se ter uma idéia da importância do Hassell para aquele Wolves de sucesso, aqui estão algumas frases do Kevin Garnett sobre ele:

"Trenton é muito importante, ele é nosso melhor jogador defensivo. Ele joga com intensidade na defesa e muitos times nem dão importância pra ele".

"Eu não o chamaria de "role player", ele é nosso principal jogador de defesa, se precisamos parar alguém, colocamos Trenton nele. Ele é um presente de Deus pra gente"

"Estou tão feliz de ter alguém como ele no time. Precisávamos muito de um cara assim! Ele é nosso Ron Artest, nossa versão baixa do Mutombo."



É o Garnett quem disse tudo isso! Imagina que você é dispensado do time que o draftou e que por um tempo pensou que não ia ter lugar na NBA. Depois tem o Garnett falando tudo isso de você. Surreal. Mas o Hassell é corinthiano da Zona Leste e por isso é humilde. Sempre que falavam pra ele dos jogadores que tinham ido mal contra ele, ele dizia: "Eles só tiveram uma noite ruim."

Bom, as noites ruins daquela memorável temporada incluiam 10 pontos (3 de 12 arremessos) para o Carmelo, 15 pontos (6 de DEZOITO arremessos) para o Paul Pierce e um dos piores jogos da carreira do T-Mac, 2 de 10 arremessos para marcar 4 pontos. Nada mal pra um cara que nunca se viu como um defensor.
Ele diz que na faculdade era um jogador de ataque, tanto que chegou a ter média de mais de 20 pontos na faculdade de Austin Peay, mas disse que precisava achar seu nicho na NBA e achou na defesa.

Quando o Wolves começou a se desmontar, com toda aquela polêmica do Spreewell recusar um contrato de 7 milhões por ano porque tinha que alimentar a família e depois com a troca do Cassell pelo Marko Jaric, Hassell ficou envolvido em rumores de troca também. Diziam que o Nuggets estava de olho nele, queriam um defensor forte no time para completar a equipe que já tinha Andre Miller e Carmelo Anthony, mas não conseguiram. O Wolves segurou Hassell e ele ficou lá, marcando caras bons mesmo com um time ruim por trás. Assim, como todo bom defensor em times ruins, caiu no esquecimento.

Para sua sorte, teve outra chance de ir para um time vitorioso, o Mavericks, em uma troca por Greg Buckner, mas a verdade é que o Dallas nunca usou muito ele. Ele era o cara que deveria entrar para parar um grande jogador adversário, mas na hora do aperto o Avery Johnson preferia colocar na quadra alguém mais fraco na defesa mas que desse conta do recado no ataque, como Jason Terry ou Jerry Stackhouse. Para finalizar essa triste decadência, ele foi o escolhido para o lugar de Devean George para ir para o Nets em troca de Jason Kidd. Agora em um time mais ou menos e reserva de Carter e Jefferson é que ele não deve jogar nada. Ou não? Bom, veremos no próximo texto, quando analisaremos seus primeiros jogos como um membro do New Jersey Nets.

(Nota: Na troca, nosso primeiro desconhecido do mês, Antoine Wright, foi para o Mavs. Será que lá ele terá mais sorte que Hassell? Suas características são parecidas.)

6 comentários:

Ricardo disse...

pq mesmo com o final do periodo de troca ainda leio sobre rumores de trocas e coisas do tipo ?!! times que estão interessados nesse ou naquele jogador ... alguem poderia me explicar por favor !! qm sabe ajudar a intender um pouco.



vleu !!
abrs

Danilo disse...

Ricardo, rumores de troca agora, só se for pra temporada que vem. O que acontece com o fim da data limite de trocas são os boatos sobre os times assinarem os jogadores sem emprego. Graças a algumas trocas, uns jogadores foram cortados e podem ser assinados por qualquer time com grana sobrando. São os casos recentes de Magloire, Brent Barry e Flip Murray, por exemplo.

Também já surgem boatos sobre os jogadores que serão "free agent" na temporada que vem e poderão ser contratados por outras equipes. Ou seja, boato na NBA nunca pára.

Renzo disse...

O texto reafirma a certeza de que, para encotrar DESTAQUE na NBA, o jogador tem que ser realmente muito bom, excepcional.

Por isso, jogadores que são "apenas bons" têm seu desempenho diretamente influenciado pelo roster da equipe onde jogam. Estando "no lugar certo, na hora certa", os minutos serão concedidos mais facilmente e o jogador tem mais espaço para desenvolver seu jogo, o que pode até ajudá-lo a ser melhor estimado dentro da liga.

No caso do Hassell, realmente sua situação fica complicada numa equipe que, apesar de capenga, possui duas estrelas nas posições 2 e 3. Esses caras precisam jogar, ganham muito para isso, de modo que sujeitos como Hassell acabam mesmo sentados no banco a ver navios. Não tem jeito, é simples, jogam os melhores.

O fato é que, dependendo de onde estiver, um jogador como Hassell pode ascender ou decair substancialmente.

Renzo disse...

Atenção!
Quarta-feira, 27/02, CELTICS vs. CAVS NA ESPN!!!!!!!!
Jogão...

Guilherme disse...

E sexta também na ESPN tem mais um confronto CP3 X D-Will, o Maestro.

Imperdível

Renzo disse...

Sexta é sempre mais complicado para assistir.... horário ingrato...rs